25.8.10

No. 101 - Gosto de conto (III)

Ana Maria da Silva Farias levanta da cama verde frio. Aquele não era o dia de tomar sorvetes.
A Rua 06 de abril parecia correr em velocidade anos-luz, enquanto Ana Maria tentava abrir seu guarda-chuva. Aquele não era o dia de usar rayban.
Seguiu com seus passos lentos em direção ao atelier Belos Panos, onde Afrodite a esperava para mais uma invenção. As botas velhas, que não encontravam substitutas, gritaram para Ana Maria que já não serviam para chuva. As poças das calçadas históricas do largo entravam em contato direto com as meias listradas. Aquele não era um dia para andar de chinelos.
Resignada, ela respondeu secamente ao bom dia da sócia do Belos Panos. Afrodite percebeu que não era um dia de contar piadas. Ficou quieta em seus afazeres.
Alfredo, que há dias não aparecia no terreno, entra de capa molhada preta. Ao que Ana Maria se indigna, vendo os tecidos próximos da entrada ganharem gotas espalhadas. Aquele não era um dia para visitas.
Afrodite ri.
O visitante ignora as reações, e começa a tirar o plástico escuro, para abraçar elas, personagens tão importantes em sua vida. Afrodite não questiona e fica contente com aquele repente na Rua dos Porões. Num longo abraço sente um pulsar forte, ao qual seu peito ressoa.
Ana Maria acha algo para costurar e senta de forma a evitar contatos. Para ela não importava que Alfredo chegou de moto, mesmo não gostando de chuva nem de acordar cedo. Aquele não era um dia de sacrifícios.
Alfredo percebeu o recolher-se dela e decidiu sentar, pacientemente, no banquinho da janela. Gotas já suavam no vidro, os casacos das sócias já pendiam no cabide, e a segunda jarra de café era servida.
Ana Maria costurava. Alfredo olhava.
Afrodite entendeu que se até o céu azulou, e o sol espiava, era hora de ir lá fora.
Ele observa ela saindo. Ana Maria concentra em suas linhas.
Só se escuta os carros que atravessam a rua dos porões nos intervalos de sinal verde.
A agulha da máquina parou.
Ana Maria, Alfredo e um banquinho.
“Sim, eu aceito.”
Aquele já parecia um dia para respostas.

15.7.10

Apêndice ao 100

100 vezes o gosto
100 marcas
100 inocentes em cumplicidade
A justiça não acha lei
que encaixa
a ré.

100 dó
100 ré
só alfabeto
100 cifra
100 títulos
100 legendas
100timento
100 definição.

11/07/2010 3:30am

No. 100 - Gosto de Teresa XIII

"Que Foda
Isso Tudo
Ser Só Um Dia".>


Embalos se repetem
músicas se ouvem
e o mundo se
controla por cordas
e peles.

Unha que se aprofunda
e marca.

Respira
em muitos
Energia

Teresa se vê
sem espelho
cabelo
sem creme
Mar sem
praia.

Não é hora para tomar banho de mar.

Hora de sol,
banho de sol
com protetor
solar.

Não colocará mais a pela a prova.

Pele de pandeiro
à mão
ritmo
carinho

Carinho a si
carinhas
sorrindo
carinhando-se

Teresa se vê
sem espelho
sem outra
sem sono

Teresa se vê
nua, crua.
Para si,
cria.

E pensa:
O tempo não mede pelo relógio. Mede pela intensidade da entrega de um ponteiro de encontro ao outro.
1 hora.


Antonina-PR, 11/07/2010

8.7.10

No. 99 - Gosto do estranho

Acordou se sentindo estranha, como Alice no país das maravilhas. Mas Sonia nem teve tempo de ir ver o filme em 3d nem sem d. Mas sabia que não ia ser um dia normal.
Sol. Denovo. Na cidade da chuva, mais um dia com sol. "Vou ter que molhar as plantas."
Casa nova. Rua amiga. E só. Era isso que ela via. E mais ninguém. O reflexo do espelho nao foi notado, e continuava escovando os dentes prestando atenção no barulho da água.
Era ecologicamente correta, mas naquela manhã deixou a torneira aberta enquanto acariciava com as cerdas suaves, cada esmalte de sua boca. O barulho da água escorrendo a levou para lembranças nostálgicas.
Fechou a torneira.
Não olhou no espelho.
Foi se vestir, sem saber se ia passar frio ou calor. Aquela casa nova,naquela altura, enganava o guarda-roupas. Colocou o casaco na bolsa e arriscou a saia florida. Nem conferiu seu look. Nem no espelho do elevador.
Estranho.
Fechou a porta e o portão. Segurança.
Se sentia segura. cada vez mais. E isso lhe dava medo.
Respirou fundo e lembrou a peça do fogão que tinha que trocar na loja do fim da rua. Depois. Depois ela volta. Vai trabalhar ali perto mesmo.
Sonia caminhou poucos passos e


08/07/2010

18.6.10

No. 98 - Gosto de Samba

Mesmoquedepoiseantes, eu nao entenda, porquenoMEIOdeumasemanadedifícilrespirAção entre tantacoisajunto, eu v á s a m b a r.

O compasso
acompanha
o passo

O olho
segue
o olho

Os braços
abraços

Os ouvidos
liberam
os pensamentos

Escuta
solta!
volta

"e quero ver se voce tem atitude e se vai encarar!"

continuocomesserefrãonacabeçaevouencararumaprovadafaculdadeagora.

Gi - 18-06-2010 09:20